GRÁTIS, “LIVROS NAS PRAÇAS”, ATÉ 23 DE JUNHO

Ônibus livro nas praças

Acabaram-se as desculpas para deixar de ler por falta de tempo ou dinheiro. Só falta deixar a preguiça de lado. É isso mesmo. Dois mil livros sobre vários temas têm chegado gratuitamente em diferentes praças das zonas norte e oeste do Rio de Janeiro, em dias específicos (confira as datas no cartaz), num ônibus biblioteca volante, sempre das 10h às 16h. Para ter acesso às obras, basta mostrar a carteira de identidade e um comprovante de residência. Feito isso, será possível levar até dois livros emprestados, que deverão ser devolvidos em qualquer um dos locais em que o ônibus ficará parado só esperando leitores e leitoras as montes e, claro, a devolução dos livros no prazo, para poder pegar mais. A próxima parada será, hoje, dia 22 de maio, na Praça Daniel, na Cidade de Deus.

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Iniciado em 2018, sob o patrocínio e apoio do governo federal e vários outros parceiros, projeto “Livros nas Praças”, é uma oportunidade e tanto de popularizar cultura e leitura, tornando-as facilmente acessíveis e próximas. Além dos cerca de dois mil livros oferecidos, o ônibus possui cadeira de transbordo, própria para cadeirantes e idosos que queiram entrar para escolher um livro ou dois de que gostem. O ônibus biblioteca abriga também duas prateleiras de livros acessíveis — 60 livros com ilustrações em braile para crianças, além de livros em fonte ampliada para pessoas com baixa visão, audiobooks para deficientes visuais e 30 livros em braile para adultos.

O ônibus biblioteca rodará a cidade até o dia 23 de junho. Neste período, oito praças públicas servirão de base para os leitores: Vila Olímpica da Maré (Maré); Praça Daniel (Cidade de Deus); Praça Corumbá (Botafogo); Praça Miranda Ribeiro (Madureira); Praça Ex. Combatente (São Gonçalo); Vila Olímpica de Santa Cruz (Santa Cruz); Praça Saiqui (Vila Valqueire); e Praça Rio Grande do Norte (Engenho de Dentro).

Ler é sempre bom pra vista.

 

 

 

 

 

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JANINE RODRIGUES: “LITERATURA É BOM PRA ALMA”

 

JANINE VALE

Literatura é bom pra vista entrevista a escritora infantojuvenil Janine Rodrigues, que lançou ontem, dia 19 de maio, o livro Nuang – Caminhos da Liberdade, no Salão Carioca de Leitura (LER)*. Aos 36 anos, Janine está à frente da Piraporiando, produtora cultural e editora criada por ela em 2013.  Além de escrever livros,  a autora tem uma forte atuação no incentivo à leitura, tendo desenvolvido mais de 50 projetos em 16 estados do Brasil e em países como a Colômbia, a Argentina e o Chile. A escritora tomou para si a nobre tarefa de divulgar a riqueza cultural africana e afro-brasileira. Tanto que Janine vem intensificando ainda mais suas ações em escolas, em favor do cumprimento da Lei 10.639/03, sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana. Nuang é uma princesa negra em busca de liberdade.

Foi pelo amor aos livros que Janine abriu mão da estabilidade de um emprego para realizar um sonho: ser escritora. Carioca, filha de dona Jurema e seu João, irmã de Silvana, Miriam, Jonathas e Carlos, é formada em Gestão Socioambiental e Produção Cultural. Trabalhou por muitos anos na área de licenciamento ambiental. Mas o sonho de viver dos livros e incentivar mais pessoas a ler foram maiores.

“Estabilidade é uma grande ilusão. Mudei mais de emprego do que de sapatos. Estar infeliz no trabalho nunca fez o menor sentido pra mim. Só da ultima vez em que mudei de trabalho, doeu porque eu era feliz. Trabalhava numa empresa que amo. Amo as pessoas e os donos da empresa. Eu era muito feliz. Mas eu amava mais ainda escrever”, revela.

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A influência pela literatura veio de seu cunhado Ricardo, que sempre lhe deu e emprestou livros. “As histórias me levam para outros lugares, reais e fantásticos”, garante a escritora, ressaltando que Menino Maluquinho, de Ziraldo, foi um livro marcante em sua vida. Janine não lembra quem lhe deu. Tinha, no máximo, oito anos e guardo o exemplar até hoje”, lembra.

Antes do lançamento de Nuang, , a escritora fez uma jornada literária com a história da princesa, que emocionou crianças e adultos.  A autora falava com o público dos Uthando, um povo conhecido por sua sabedoria, pela honra de suas palavras e por sua beleza preta.

“A personagem Nuang é uma Uthando alegre e talentosa, que gostava de deitar no colo de sua avó e ouvir histórias, até que um terrível acontecimento muda a vida da personagem. A história traz fortes elementos da cultura afro-brasileira e africana, incluindo palavras do tronco grupo etnolinguístico bantu”, ensina Janine

Em 2013,   a escritora lançava seu primeiro livro, No Reino de Pirapora. De lá para cá, foram mais quatro: As duas bonecas azuis; Contos Piraporianos; Histórias do velho Nestor, e, agora, Nuang – caminhos da liberdade.

Para Janine Rodrigues, literatura é “boa pra alma” e a  “a leitura nos alarga as vistas, acelera o coração, cria cenários em nossa mente e sempre nos instiga”, completa.

 * A LER — Salão Carioca do Livro, que acontece entre os dias 17 e 20 de maio, das 10h às 21h, na Biblioteca Parque, centro do Rio de Janeiro.  Na programação*, gratuita, oficinas, saraus, contações de histórias, entre outros.

Endereço: Av. Pres. Vargas, 1.261, Rio de Janeiro // Telefone: +55 (21) 3171-7505

FOTOS: https://www.facebook.com/pg/tonoceurj/posts/

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA O PRÊMIO FERNÃO MENDES PINTO

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Vai até 31 de julho o prazo de candidaturas à edição de 2018 do Prémio Fernão Mendes Pinto.  Concedido anualmente pela Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), o Mendes Pinto tem como objetivo  premiar uma dissertação de mestrado ou de doutoramento que contribua para a aproximação das Comunidades de Língua Portuguesa, explicitando relações entre comunidades de, pelo menos, dois países.

Numa parceria entre a AULP e a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, o Prémio Fernão Mendes Pinto, no valor de 8.000€, será atribuído ao autor premiado, cuja publicação será da responsabilidade do Instituto Camões. Mais informações:

http://portal.uab.pt/premio-fernao-mendes-pinto-2018/

BIBLIOTECA PARQUE REABRE COM FEIRA DO LIVRO

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Fechada há dois anos, por falta de verba do governo do Estado do Rio de Janeiro, a Biblioteca Parque abrirá suas portas para sediar a LER — Salão Carioca do Livro, que acontece entre os dias 17 e 20 de maio, das 10h às 21h.  Na programação*, gratuita, oficinas, saraus, contações de histórias, entre outros.

“Vejo a LER como uma grande oportunidade para recuperarmos o que tem se perdido ultimamente: o diálogo, a troca de ideias, a inspiração mútua. Em tempos de polarização radical, tentei trazer para as mesas da LER toda uma gama de pontos de vista diferentes, com leitores de todos os perfis e origens. Também me orientei pelo lema ‘O festival do leitor’, dando protagonismo a quem lê”, afirma o curador da LER, Julio Silveira.

PARQUE

LIVRO NA ESTANTE

Convidada para participar do evento, a plataforma digital de livros Estante Virtual, site que reúne 2.600 sebos, livreiros e pequenas livrarias de todo o Brasil, realizará ação voluntária de arrecadação de livros, que serão doados ao Sistema Estadual de Bibliotecas do Rio de Janeiro. Além de facilitar o recebimento e organização dos exemplares doados pelo público para as instituições cadastradas, a Estante Virtual entregará também livros adquiridos por sua enorme rede.

*Programação completa  e inscrições da LER: http://www.lersalaocarioca.com.br/programacao/

Endereço: Av. Pres. Vargas, 1.261, Rio de Janeiro // Telefone: +55 (21) 3171-7505

Fotos:

https://catracalivre.com.br/rio/agenda/barato/sarau-trem-da-central-na-biblioteca-parque-estadual/

http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/biblioteca-parque-estadual

TEM PEÇA DE LIMA BARRETO E ENTREVISTA COM O ATOR LEANDRO SANTANNA, INTÉRPRETE DO ESCRITOR

leandro

Literatura é bom pra vista entrevistou o ator Leandro Santanna.  Ele está em cartaz com o monólogo “Lima entre nós”, que traça uma bela homenagem à obra e ao escritor Lima Barreto, na Casa de Cultura Laura Alvim. Literatura é bom pra vista assistiu ao espetáculo, dirigido por Márcia do Valle, e recomenda muito. Desde a infância, Leandro foi forjando seu ofício de ator. Morador da Baixada Fluminense, região do Estado do Rio de Janeiro, ele fez teatro amador na escola. Depois, entrou em outro curso. “Fiz um curso livre na UNIGRANRIO, com o um dos professores do Tablado. Ele veio Caxias dar aulas e montar uma peça do roteirista Doc Comparato com os alunos”, explica.

O professor disse aos alunos que aqueles que mais se destacassem durante as aulas iriam participar de um espetáculo de fim do ano do Teatro e curso Tablado. Leandro participou. “Eu sempre sonhei em entrar no Tablado e subir naquele palco. Acabei fazendo uma peça sem ser aluno. Fui nas nuvens. Cécil Thiré e Tônia Carreiro foram assistir, elogiaram. Eu tinha  14  para 15 anos e me senti.   Foi então que ele começou a frequentar teatro sozinho. Saía lá de Queimados (um bocado longe do centro da cidade do Rio de Janeiro): “Do alto da minha autonomia de adolescente,  eu ia ver as coisas que eram grátis. Comprava o jornal, lia igual a quem lê classificados, para achar o que não era pago e ia”, relembra.

E talvez tenha sido a própria mãe de Leandro um pouco responsável pela peripécia do menino: a professora e historiadora dona Conceição sempre incentivou o filho à leitura e ao contato com livros: “Desde pequeno e eu sempre li bastante”.

Teatro não rima exatamente com literatura, mas que dão liga, dão. Pois bem. Não satisfeito em assistir às peças, Leandro costumava esperar os atores no final de cada uma delas para perguntar se sabiam de algum curso gratuito de formação de atores ou de alguma peça que estivesse selecionando ou precisando de jovens atores. Ele ri e conta como fazia: “Teve uma vez que eu soube de um festival de teatro para juventude, no Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio, aos domingos de manhã. Lá fui eu”.

Leandro não pensava duas vezes: Acordava cedo, pegava o trem, descia na Estação Central do Brasil e caminhava até a praça Tiradentes ou até onde estivesse sendo encenado o espetáculo. “Esperava os atores na saída do camarim, cumprimentava-os e perguntava se sabiam de algum espetáculo precisando de jovens atores, algum curso gratuito, alguma produção onde eu pudesse mostrar meu trabalho”.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, diz o ditado: “Até que alguém me indicou o Teatro Gonzaguinha, onde o ator Ernesto Piccolo desenvolvia um projeto  formação em teatro com atores e não atores”.

Bom,  o Teatro Gonzaguinha fica bem mais perto da Central do Brasil do que o Teatro Carlos Gomes e lá foi ele, a pé, fazer o teste. E qual foi o resultado, Leandro? “Passei e fiquei ali de 1995 até 1999. Aprendi muito, com diversos profissionais de excelência. Líamos muito. Tudo era na base da pesquisa. O ator Rogério Blat nos pedia muitas pesquisas sobre vários temas”, fala.

Para cumprir as tarefas, Leandro precisava sair ainda mais cedo da Baixada Fluminense, para ir à Biblioteca Estadual Celso Kelly, próxima à Central do Brasil. “Eu passava horas lá e depois caminhava até o Gonzaguinha”.

A literatura ajudou na sua formação de ator, Leandro, e é boa pra vista? A relação do teatro com a literatura é a mais importante que existe! Sempre fui ajudado pela literatura, desde a idéia de uma peça até a construção de um personagem”, afirma.

E o genial patrono de Literatura é bom pra vista chegou quando em sua vida, Leandro? “Foi na Universidade das Quebradas, por intermédio de Heloísa Buarque de Holanda, que conheci a Beatriz Resende e a vastidão da obra de Lima Barreto. Para a alegria de Literatura é bom pra vista, Leandro indica como leitura, toda a obra de Lima Barreto, em especial Numa e a Ninfa, livro que, segundo ele, precisa ser lido por todo mundo. Em se tratando do genial Lima Barreto e de sua obra sensacional, Literatura é bom pra vista sempre assina embaixo.

Serviço:

Lima entre nós

Terça e quarta, às 19h, até 16 de maio.

R$30,00

Teatro Rogério Cardoso na Casa de Cultura Laura Alvim – Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema. Tel.: 23322015.

 

MÃE CORAGEM, DE BRETCHT, NO DIA DAS MÃES, EM LITERATURA É BOM PRA VISTA

CORAGEM

Mãe Coragem e sua carroça decadente: “É primavera. Acorde homem de Deus! A neve se derrete. Estão dormindo os mortos. Que se agüente nos sapatos aquele que não está morto ainda!”*

Literatura é bom pra vista vai de Mãe Coragem e seus filhos, do dramaturgo alemão Bertolt Bretcht (1898-1956), no Dia das Mães. Escrita em 1939, a obra denuncia os horrores da guerra e os catastróficos avanços do nazismo e do fascismo. Ela retrata o destino de Anna Fierling, apelidada de “Mãe Coragem”. Numa carroça velha, quase uma carcaça,  Anna vai seguindo a guerra para vender suas mercadorias. Durante o curso da peça, ela vai perdendo os filhos para o conflito, embora não quisesse que se tornassem soldados. Contudo, os jovens tiveram de ir. Foram convocados.  A filha, muda, também morre para salvar a mãe. A peça termina com Anna seguindo sozinha com sua  carroça.  Não, não é uma peça alegre, mas necessária nestes tempos graves em que vivemos e que destaca o papel das mães com força e determinação, não obstante os contextos históricos em que estão inseridos. E mães são capazes de virar o jogo quase sempre.

Bertolt-BrechtO autor da peça, Bertolt Bretcht:

*O texto completo:

http://joinville.ifsc.edu.br/~luciana.cesconetto/Textos%20teatrais/Bertolt%20Brecht/BERTOLT%20BRECHT%20-%20M%C3%A3e%20coragem%20e%20seus%20filhos.pdf

HOJE É ANIVERSÁRIO DE LIMA BARRETO!

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Foi num 13 de maio, há 137 anos, em 1881, que nascia  o genial, o sensacional Lima Barreto: o patrono, o queridinho, o preferido e a razão de existir de Literatura é bom pra vista, que homenageia Lima e o dele, o seu, o nosso amor pela Literatura. O escritor fez uma crônica intitulada Maio e Literatura é bom pra vista publica um trecho. Viva Lima Barreto! Viva a Literatura!

“Estamos em maio, o mês das flores, o mês sagrado pela poesia. Não é sem emoção que o vejo entrar. Há em minha alma um renovamento; as ambições desabrocham de novo e, de novo, me chegam revoadas de sonhos. Nasci sob o seu signo, a treze, e creio que em sexta-feira; e, por isso, também à emoção que o mês sagrado me traz, se misturam recordações da minha meninice. Agora mesmo estou a lembrar-me que, em 1888, dias antes da data áurea, meu pai chegou em casa e disse-me: a lei da abolição vai passar no dia de teus anos. E de fato passou; e nós fomos esperar a assinatura no largo do Paço”.*

*A crônica pode ser lida na íntegra em: http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/LimaBarreto/cronicas/indice.htm

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