A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL INTERROMPE UMA HISTÓRIA DE AMOR

SARAVEJO

Os assassinatos do arquiduque austríaco e herdeiro do Império austro-húngaro Francisco Ferdinando e de sua esposa Sofia, em 28 de junho de 1914, desencadearam a *Primeira Guerra Mundial, que teve seu início um mês depois dos crimes: 28 de julho de 2014. A carnificina prosseguiu até 11 de novembro de 1918.

jornal

O arquiduque Francisco Fernando não era muito querido pelos seus. Achavam-no esquisito. Tudo porque decidiu viver um grande amor. Bem que sua família imperial tentou impedir, apresentando-o a várias moças casadoiras,  detentoras de altos títulos de nobreza. Não adiantou. O rapaz apaixonou-se pela condessa Sofia, cujo título era considerado de baixa estirpe e sem valor para os Habsburgos, a tradicional, esnobe e imperial família de Francisco Fernando. Primeiro, seu tio, o então imperador Francisco José, proibiu o casório. Depois criaram todos tipos de dificuldades para o convívio do casal. Mas o futuro imperador bateu o pé, ameaçou se suicidar.

francisco e sofia

Ernst, Sofia, a mãe Sofia, o arquiduque e Max

O que foi feito, então? Aceitou-se o casamento chamado de mornagático, isto é, celebrado entre pessoas de níveis de nobreza considerados estratosfericamente diferentes. À bela noiva Sofia,  tudo era impedido e ela passaria por muitas humilhações: nem caminhar ao lado do marido, ela podia. Estava também proibida de viajar com seu marido, sentar-se perto dele, aparecer com ele em cerimônias de Estado. Era sempre a última a entrar. Sentava-se (quando podia sentar e não batiam a porta do palácio do imperador Francisco Fernando em sua cara) em mesa separada da do marido. Com os três filhos que tiveram foi a mesma coisa. As crianças não podiam se juntar para brincar com os primos no Natal. Ficavam com a mãe, distantes do pai, em uma sala, separadas dos demais convidados. Os parentes de Francisco Fernando, sobretudo seu tio, o imperador Francisco José, faziam de tudo para deixar claro todo o tempo a diferença entre eles e Sofia. Mesmo depois da morte, o caixão de ambos e as cerimônias fúnebres foram diferentes. Somente depois de anos de casados é que o imperador permitiu que ficassem juntos em algumas cerimônias não oficiais.  Queriam mostrar que o acinte de Francisco Fernando em se casar com quem quisesse e por amor nunca fosse esquecido. A cada cerimônia, deixavam patente que o futuro imperador seria ele,  jamais ela. Que a família de alta nobreza e distinção era a dela, não a dela.

Não conseguiram, contudo, separar os dois, que foram enterrados juntos, a pedido do arquiduque, em testamento. Viveram felizes e foram também pais amorosos para seus três filhos: Max, Ernst e Sofia. E sabem o mais engraçado de tudo isso? O assassinato de ambos reduziu a pó o império austro-húngaro, bem como sua empáfia, pela guerra que desencadeou, deixando a nobreza imperial no maior miserê e caidaça no ostracismo.

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O cortejo fúnebre do arquiduque

*O conflito pôs fim à era dos impérios o alemão e o austro-húngaro. Em visita à Saravejo, na Bósnia,  então pertencente ao território austríaco, o futuro imperador e a esposa foram alvejados  pelo nacionalista ioguslavo Gavrilo Princip. Diz-se que a Bósnia fazia corpo mole para inibir outros atos considerados terroristas. A Áustria-Hungria, então, determinou, num ultimato, que o governo de Saravejo, entre outras coisas, agisse com mais rigor contra estas pessoas. A resposta saraveja veio vaga e  o império austro-húngaro invade o território, dando início a Primeira Guerra Mundial.

A história completa pode ser lida no livro O assassinato do arquiduque, de Greg King e Sue Woolmans, da Editora Cultrix.

 

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LITERATURA É DIREITO

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“A literatura tem sido um instrumento poderoso de instrução e educação, entrando nos currículos, sendo proposta a cada um como equipamento intelectual e afetivo. Os valores que a sociedade preconiza, ou os que considera prejudicais, estão presentes nas diversas manifestações da ficção, da poesia e da ação dramática. A literatura confirma e nega, propõe e denuncia, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas.” ( Antônio Cândido, O Direito à literatura*).

CANDIDO

Antônio Cândido (1918-2017) foi sociólogo e um dos maiores intelectuais do país. É de sua autoria também uma das obras mais influentes sobre literatura: Formação da Literatura Brasileira. lançada em 1959.

*Texto completo: https://culturaemarxismo.files.wordpress.com/2011/10/candido-antonio-o-direito-c3a0-literatura-in-vc3a1rios-escritos.pdf

NÃO SE VIVE SEM LITERATURA

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“Chamarei de literatura, da maneira mais ampla possível, todas as criações de toque poético, ficcional ou dramático em todos os níveis de uma sociedade, em todos os tipos de cultura, desde o que chamamos folclore, lenda, chiste, até as formas mais complexas e difíceis da produção escrita das grandes civilizações. Vista deste modo a literatura aparece claramente como manifestação universal de todos os homens em todos os tempos. Não há homem que possa viver sem ela. Isto é, sem a possibilidade de entrar em contacto com alguma espécie de fabulação”. (O Direito à literatura, Antônio Cândido, sociólogo e crítico literário).

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Texto completo: https://culturaemarxismo.files.wordpress.com/2011/10/candido-antonio-o-direito-c3a0-literatura-in-vc3a1rios-escritos.pdf

LIVRO NUANG TEM CHANCELA DA FUNDAÇÃO PALMARES

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Olhem que bom pra tudo!  O livro  infantil Nuang – Caminhos da Liberdade’, de Janine Rodrigues,  já divulgado aqui em Literatura é bom pra vista, acaba de receber a chancela da Fundação Palmares*, em virtude de seu conteúdo ter sido considerado relevante e necessário na difusão da cultura afro-brasileira. Não foi e tampouco é pouca coisa. A fundação é extremamente criteriosa em suas avaliações, por ser considerada uma das principais referências no país na promoção, preservação e valorização das nossas artes e culturas negras.

“Esse reconhecimento é bem importante para a gente. Nuang, tanto a história como o projeto cultural, têm muita inserção em escolas. Ter essa chancela reforça o nosso trabalho. É algo de muita representatividade”, destaca a autora.

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Janine Rodrigues,a autora de Nuang

A obra traz fortes elementos da cultura afro-brasileira e africana, incluindo palavras do tronco etnolinguístico banto, origem de vários idiomas africanos, e conta a história de uma menina guerreira em busca da liberdade: a protagonista Nuang. Ela é uma Uthando (expressão que significa amor) alegre e talentosa, que gosta de deitar no colo de sua avó e ouvir histórias de seus antepassados, até que um terrível acontecimento muda sua vida… Bom, aí, só lendo para saber. Literatura é bom pra vista não vai contar nadinha.

* http://www.palmares.gov.br/

 

LITERATURA É NECESSIDADE UNIVERSAL

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“Assim como todos sonham todas as noites, ninguém é capaz de passar as vinte e quatro horas do dia sem alguns momentos de entrega ao universo fabulado. O sonho assegura durante o sono a presença indispensável deste universo, independentemente da nossa vontade. E durante a vigília a criação ficcional ou poética, que é a mola da literatura em todos os seus níveis e modalidades, está presente em cada um de nós, analfabeto ou erudito, como anedota, causo, história em quadrinhos, noticiário policial, canção popular, moda de viola, samba carnavalesco. Ela se manifesta desde o devaneio amoroso ou econômico no ônibus até a atenção fixada na novela de televisão ou na leitura seguida de um romance. Ora, se ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo a que me referi parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito”. (O Direito à literatura, Antônio Cândido)

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Texto completo: https://culturaemarxismo.files.wordpress.com/2011/10/candido-antonio-o-direito-c3a0-literatura-in-vc3a1rios-escritos.pdf

TUDO E MAIS UM POUCO É POSSÍVEL PARA O PAI, ESCRITOR E ADVOGADO MARCOS ROSSI

MARCOS ROSSI

Hoje é Dia dos Pais e Literatura é bom pra vista abre seu espaço para um super e especial pai: o escritor Marcos Rossi. Ele é o exemplo dos exemplos, como pai, escritor, filho. Vale conhecer sua história, seu livro, sua garra, seu otimismo, sua perseverança, sua coragem e, sobretudo, sua alegria de viver, lendo sua entrevista. Além de dar uma grande lição de vida em todos nós, Marcos conta ao longo do livro – sempre de forma bastante descontraída e sem qualquer vitimização – cenas comuns ao cotidiano de qualquer pessoa, como quando saiu de casa para morar sozinho, sua experiência com o surfe, o skate, o mergulho, o futebol e as baladas, a expulsão do colégio, a estreia na bateria da X-9 Paulistana e a tão fatídica primeira vez. Parabéns pelo Dia dos Pais, Marcio, e pela vida que você escolheu levar.

 Surfista, skatista, mergulhador. DJ, integrante de bateria de uma escola de samba, vocalista de uma banda, músico da avenida Paulista, comediante. Funcionário de um banco, formado em Direito, palestrante internacional. Casado, pai de dois filhos e… feliz! Essas características já seriam muitas se estivéssemos falando de qualquer pessoa, mas elas com certeza não pertencem a uma pessoa qualquer: todas são de Marcos Rossi, portador da raríssima Síndrome de Hanhart, nascido sem braços nem pernas e responsável por contar as suas inúmeras histórias no livro O que é impossível para você?, da Buzz Editora.

“Na minha vida, as chances de que as coisas dessem errado eram muito grandes, mas eu sempre desafiava todas elas”, resume o autor. “A mensagem que quero passar com essa obra é que a limitação é um conceito que está dentro da cabeça das pessoas, pois fazer ou não fazer uma coisa depende exclusivamente de você. Porque o tempo na nossa vida passa muito depressa”, acrescenta.

“Eu tinha 15 anos e estava prestes a fazer uma cirurgia com 90% de chance de óbito. Então, disse à minha mãe que não queria morrer virgem. Ela apenas se calou. Dias depois, porém, um amigo dela ficou de me levar ao médico, mas me despejou no flat de uma garota de programa. Não me esqueço de uma fração de segundo daquele dia”, relembra ele.

Em outra passagem marcante, o autor conta como era a sua atividade diária no setor de Recursos Humanos de um dos maiores bancos do país – Marcos foi responsável pelo recrutamento de pessoas com deficiência. “Recebi o e-mail de um gestor que recusava uma contratação pelo fato de o candidato não ter um dedo e precisar ‘digitar muito’. Esse gestor não me conhecia e, depois de digitar vários e-mails para ele, convoquei uma reunião. Logo que entrei na sala, ele ficou estático, sem palavras e, após alguns minutos, reconheceu o erro e admitiu que poderíamos realizar a contratação”, conta.

A seguir, a entrevista de Marcos:

Literatura é bom pra vista: Como surgiu a ideia do livro? A ideia do livro foi uma demanda natural. Como as palestras motivacionais que eu realizo são feitas em empresas brasileiras e internacionais, muitas das pessoas gostariam que algum familiar ou amigo também tivesse a oportunidade de ouvir as minhas palavras. Por conta dessa demanda, decidi escrever um livro que contasse tudo, inclusive, aquilo que não dá tempo de falar nas palestras.

Literatura é bom pra vista: Como você lida com sua limitação?Limitação, que limitação? Rsrs Ela praticamente não existe para mim. Faço muitas coisas! Somente algumas preciso de ajuda mas afinal quem não precisa de ajuda para nada? Todos nós em algum momento dependemos de uma outra pessoa e não há nada de errado nisso.

Literatura é bom pra vista: Você fez uma cirurgia aos 15 anos. Foi devido à síndrome? Essa cirurgia não tem nada a ver com a síndrome do meu nascimento, ela ocorreu por conta de uma escoliose gravíssima que eu tinha. É uma doença de coluna que deixa a sua coluna torta parecida com a letra “S”. Nessa época, minha coluna entortava cerca de 10 graus por mês, tínhamos que fazer a cirurgia urgentemente, caso contrário, seria óbito, pois alguma costela acabaria perfurando algum órgão vital.

Literatura é bom pra vista: Qual a idade dos seus filhos? Fale um pouco sobre eles e de sua esposa.

Tenho dois filhos do meu primeiro casamento, um deles já está com 12 anos e o outro com oito. Eles são incríveis e com espírito aventureiro. A minha esposa é um presente de Deus, é tudo que eu sempre sonhei, estamos casados há três anos.

 Literatura é bom pra vista:  Conte sobre a sua formação, idade, o que estuda ou estudou, o que você já fez, seus passatempos, o que gosta de ler. Fale um pouco de sua vida, sua trajetória. Suas atividades. Fale do que move você e sua vida.

Tenho 35 anos, sou formado em Direito, trabalho no maior banco do nosso país e dou palestras motivacionais. O que me move na vida é ser feliz e esse estado só é possível quando você faz aquilo que gosta. Por mais que você não possa fazer sempre aquilo que gosta a qualquer momento, quando fizer tem que ser intenso e muito bem aproveitado. Nas minhas horas vagas gosto muito de discotecar, sou DJ na noite de São Paulo, adoro surfar, andar de skate, sou mergulhador certificado e amo ir para o fundo do mar praticar o scubadiving. Além disso, outra coisa que eu adoro fazer e já faço há 17 anos é tocar repique na bateria da minha querida escola de samba, a X-9 Paulistana.

 Literatura é bom pra vista: Quais livros marcaram você e por que literatura é bom? Por quer ler é bom? A leitura ajudou você de alguma forma em conviver com a síndrome?

Diversos livros foram marcantes em minha vida mas dois que eu considero divisores de água foram “O Segredo”, de Rhonda Byrne, e “Pense e enriqueça”, de Napoleon Hill. O mundo da literatura é fantástico! Por meio dos livros podemos viajar para mundos diferentes e aprender culturas. É diferente dos filmes, pois nos livros você é que cria os cenários, as cores e os personagens. Os livros me ajudaram bastante por conta da minha deficiência, a leitura mostrou que eu poderia fazer diversas coisas que, a princípio, no mundo real não seriam possíveis.

 Literatura é bom pra vista? Quais livros indica, além do seu? “O que realmente importa?”, de Anderson Cavalcante, e “Os sete hábitos das pessoas mais eficazes”, de Stephen Covey.

Literatura é bom pra vista: Lembra-se de como foi seu primeiro contato com livros, poesia e quantos anos tinha? Além disso, qual foi o primeiro livro que leu, quem o apresentou a esse livro?

Meu primeiro contato com livros, exceto aqueles que nossa mãe lê quando a gente é criança antes de dormir, aconteceu aos 13 anos. Na época, o que era para ser um castigo acabou virando uma paixão, pois minha mãe me deu o livro “O Mundo de Sofia”. Isso me fez repensar diversas coisas sobre a vida.

 

 

 

 

AS PRECIOSAS RIDÍCULAS E O ESPELHO DAS GRAÇAS

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Imagem da encenação das Preciosas Ridículas

Encenada pela primeira vez em 18 de novembro de 1659, As preciosas ridículas, comédia escrita pelo francês Jean-Baptiste Poquelin, o Molière  conta o jeito arrivista e deslumbrado de duas jovens, Magdelon e Cathos, respectivamente filha e sobrinha do burguês Gorgibus. Vindas do interior da França, as moças haviam acabado de chegar a Paris e queriam ir a festas, ver os costumes e viver momentos de deslumbramento, aventura, romantismo e coisas de bom-tom. Tratam mal e debocham de seus pretendentes, os amigos La Grange e Du Croisy. Os rapazes não estariam à altura das expectativas das duas porque, na opinião delas, não saberiam ser galantes, tampouco finos, além de não servirem para paixões arrebatadoras. Para vingarem-se, os amigos instruem os criados a se fingirem de nobres, cheios de rapapés,  não-me-toques e plumas e mais plumas nos chapéus muitos babados nas vestimentas e muitos cachos nas perucas, musts da nobreza na época.

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O dramaturgo francês Molière.

A fim de imitar a empolada linguagem da nobreza e demonstrar superioridade, Magdelon e Cathos se metem a falar de forma pseudo-empolada com os criados, para tentar mostrar importância. As preciosas ridículas chamam, então, a criada Marotte e pedem a esta que lhes traga o conselheiro das graças:

Magdelon: Traga-me o conselheiro das graças.

Marotte: Nossa mãe, que bicho é esse?

Cathos: Traga-nos o espelho, ignorante, e procure não sujá-lo pela comunicação de sua imagem.

Chegam, então, os criados de La Grange e Du Croisy, e se apresentam como nobres às duas. Lá pelas tantas, um dos falsos nobres se põe a dançar e pede que elas providenciem as almas dos pés:  nome pomposo para violinos.

Magdelon: Meu Deus, estes senhores nos ofereceram as almas dos pés!!!! O porte deles é de uma elegância!

Cathos: E com um jeito de bailar como um príncipe!

Molière, que também era ator, queria mostrar a superficialidade dos costumes da nobreza parisiense, além do encantamento que esta nobreza exercia na burguesia da época.

Molière é bom  pra vista.

 

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