HOJE É DIA DE SÃO SEBASTIÃO.

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São Sebastião é o padroeiro do Rio de Janeiro, pois os portugueses exploraram as águas da Baía de Guanabara, num 20 de janeiro do século XVI. Assim, a cidade foi batizada como São Sebastião do Rio de Janeiro. O seu nome deriva do grego sebastós, que significa divino, venerável (que seguia a beatitude da cidade suprema e da glória altíssima).A data é celebrada com uma liturgia especial na igreja católica e nas cidades, sob sua proteção, costumam organizar procissões e romarias. Bom feriado!

Imagem: internet

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SOBRE MONUMENTOS E TOMBAMENTOS

colegio joao alfredo

Patrimônio, grosso modo, é um conjunto de bens e valores materiais e imateriais, que pertencem e são compartilhados por todos, unindo o passado ao presente pelo fio fino e flexível, mas resistente, da memória. Tratemos, então, em Literatura (patrimônio de uma nação) é bom pra vista de um patrimônio, de uma escola. Ou melhor, de um colégio: o Colégio Estadual João Alfredo, localizado em Vila Isabel, bairro da zona norte do Rio de Janeiro, tombado pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro, em 2018.

Fundada em 1875, por iniciativa do conselheiro do império João Alfredo, a instituição chamava-se Asilo dos Meninos Desvalidos e oferecia ensino profissionalizante e possui um valioso patrimônio arquitetônico, cultural, monumental e documental da educação pública, disponível a todos*. E vejam que interessante a definição de monumento, do historiador francês Jacques Le Goff (1924-2014), em seu livro História e Memória:

le goff

                        O historiador Le Goff

“A palavra latina monumentum remete à raiz indo-européia men, que exprime uma das funções essenciais do espírito (mens), a memória (menini). O verbo monere significa’ fazer recordar’, de onde ‘avisar’, ‘iluminar’, ‘instruir’. O monumentum é um sinal do passado. Atendendo à suas origens filológicas, o monumento é tudo aquilo que pode evocar o passado, perpetuar a recordação”.

memória e história

Monumentos, diz-nos Le Goff , são “destinados a fornecer à memória coletiva das nações a lembrança.” (Le Goff, 2006, p. 458), para serem guardados na memória, na formação e perpetuação da memória nacional. Continua o historiador: “O monumento tem como características ligar-se ao poder de perpetuação, voluntária ou involuntária, das sociedades históricas. Monumentos e patrimônios são bons pra vista.

*O João Alfredo possui um centro de memória e um minimuseu abertos à visitação, que pode ser marcada pelo telefone 23342106.

Associação de ex-alunos do colégio: http://www.cejaexalunos.net/

Fotos: internet

SOBRE LITERATURA E SOBRE LIVRO DE LITERATURA DE JEAN-PAUL SARTRE

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O caráter político e social da literatura apresenta-se de duas formas: uma delas está na ação de fatores os mais variados sobre o meio em que se vive e do qual se pode tratar a obra. A outra forma se dá pelo fato de a obra literária provocar em nós um efeito de ordem prática, que modifica nossa conduta e nossa visão do mundo, conseguindo reforçar em nós o sentimento dos valores sociais, graças a elos indissolúveis que se comunicam entre si, quais sejam: o escritor, a obra de arte e o público. A obra literária se dá a conhecer e há profundo entrelaçamento entre a construção cultural da sociedade e a literatura que esta sociedade produz e utiliza. O filósofo Jean-Paul Sartre (1905 1980), que tratou historicamente dos significados e funções da literatura engajada, afirma que:

“O escritor engajado sabe que a palavra é ação (…) sabe que ele é o homem que nomeia e que as palavras são pistolas carregadas, (…) sabe que as funções do escritor e da literatura engajada são fazer com que ninguém possa ignorar o mundo e considerar-se inocente diante dele (…) porque o homem é o meio pelo qual as coisas se manifestam e um dos principais motivos da criação artística é nos sentirmos essenciais em relação ao mundo.” (Sartre, 2004, p. 34).

livro sartre

Ora, registrar em um especial tipo de linguagem, a literária, acessa a chave da imaginação, que é também a chave da metáfora, que lida com a rotina do homem, com suas grandezas e fraquezas. Aquele que registra e escreve, aquele que é escritor, sabe, de antemão, que seu escritos, seu registros, servirão para:

“Fazer com que ninguém possa ignorar o mundo e se considerar inocente diante dele. Sabe que ele é o homem que nomeia aquilo que não foi nomeado. (…) O escritor engajado sabe que a palavra é ação, ideologia, e que o uso que dela faz é político, (…) provoca indignação ou entusiasmo em seu leitor. (…) Toda obra literária é um apelo. Escrever é apelar ao leitor para que este faça passar à existência objetiva o desvendamento que empreendeu por meio da linguagem” (Sartre, 2004:  pp 39-40).

 

 

 

LIMA BARRETO: CRÔNICA INÉDITA NA BIBLIOTECA NACIONAL* LIMA BARRETO NUNCA É POUCO

lima criança

Lima menino

“Quando  faleceu, em 1º de novembro de 1922, seus bens pessoais — que se resumiam a uma biblioteca e muitos manuscritos — ficaram sob a guarda de sua irmã, Evangelina, a única da família que compartilhava com o irmão do interesse pela cultura. Numa mudança do bairro de Todos os Santos (onde a família morava na famosa Vila Quilombo) para Inhaúma, os papéis saíram de ordem e quem sabe alguma coisa tenha se perdido.
Nessa condição foram encontrados, mais de 20 anos depois, por Francisco Assis Barbosa, futuro biógrafo do escritor, e organizador da publicação de sua obra completa. A papelada foi comprada pela Biblioteca Nacional em 1949 e encontra-se hoje na Divisão de Manuscritos.
Essa foi a origem do Diário íntimo do autor (1903 — 1921), segundo o próprio Assis Barbosa, que o organizou, recuperado página a página de cadernetas de apontamentos e anotações esparsas, às vezes até em tiras soltas, retiradas de calendários e livrinhos de endereços. Publicado primeiramente em 1953 pela Editora Mérito, saiu três anos depois em versão definitiva e aumentada pela Brasiliense”.
*https://www.bn.gov.br/acontece/noticias/2015/09/cronica-inedita-lima-barreto-encontrada-bn

https://www.bn.gov.br/search/node/Lima%20Barreto

AINDA E SEMPRE AFFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO

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Em seu conto, Como o homem chegou, Lima usa sua tábua de salvação, a literatura, para narrar toda a trajetória de um louco, até chegar a um determinado hospício do Rio, enjaulado num carro-forte. O conto foi escrito por ocasião de sua primeira internação no hospício, em 1914. “Num carro-forte. Pior do que masmorra ambulante, do que solitária, pois nessas prisões ainda se sente a algidez da pedra, alguma meiguice, meiguice de sepultura, mas no tal carro feroz, é tudo ferro, ferro na cabeça, ferro nos pés, ferro para todo lado”.

Depois de tanto sacolejar, o louco chega, ao hospício. Vamos saber, então, em que condições o homem chegou: “Logo que foi chegado, um hábil serralheiro veio abri-lo, pois a fechadura desarranjara-se devido aos trancos e às intempéries da viagem, e desobedecia à chave competente. Sili determinou que os médicos examinassem o doente, exame que, mergulhados numa atmosfera de desinfectantes, foi feito no necrotério público”.

Estamos diante da metáfora de toda uma vida: a exclusão social pela cor, e agora, a vinda pela loucura e as profilaxias médicas, que protegidas sob o manto sagrado da ciência, para domar a loucura, significavam a morte em vida, esmiuçada por Foucault (2009), em sua história dos loucos.  Afonso Henriques de Lima Barreto escreve para não morrer, uma escrita de si, uma literatura de si, em seu diário. O seu eu, de autor, despedaça-se e a linguagem explode em mil pedaços de metalinguagem. Lima Barreto escreve para enfrentar seu medo de enlouquecer e para dizer sua verdade, por intermédio da literatura.

A íntegra do conto: https://www.portalsaofrancisco.com.br/obras-literarias/como-o-homem-chegou

Fotos e imagens: internet

A CAIXA DE PANDORA

pandora

Mitologia dá barato. Os gregos sabiam das coisas.

O mito de Pandora (a que possui vários dons) serve-nos para explicar a chegada do mal entre os mortais. Pandora foi a primeira mulher criada por Zeus – o deus dos deuses – para punir os mortais. Zeus queria se vingar do deus Prometeu e também dos homens no mesmo pacote. É que Prometeu  havia dado compartilhado o segredo do fogo sagrado com os mortais e também havia sido castigado duramente pela ousadia (ver Literatura é bom pra vista de 9/11/2018) .

A bela Pandora foi, então, enviada ao irmão de Prometeu, para Zeus seguir com seu intento de castigo: Ela chega com uma bela caixa de presente para Epimeteu: o regalo havia sido ofertado por Zeus, explicou, docemente, Pandora.

Não foi por falta de aviso. Todo mundo avisou Epitemeu que a caixa da Pandora era a maior roubada e que ele não abrisse de jeito nenhum. Mas ele não só não acreditou, como, apaixonado, casou com Pandora e abriu a caixa. Dentro, Zeus havia posto a doença, a mentira, a paixão desenfreada, a loucura e outro monte de desgraça.  Saiu tudo batido da caixa e a chamada Idade do Ouro da humanidade teve fim. Mas alguém também conseguira pôr dentro da caixa, bem escondidinha, a esperança e ela também saiu da caixa para viver entre nós.

Este mito é um dos  mais instigantes: a mesma mulher que  traz o desvario,  traz também a esperança, que a última a morrer. Mito pra que te quero mito. Mito é bom pra vista.

Imagem: internet

FELIZ ANO NOVO COM CORDEL DE ANO NOVO

ANO NOVO

Literatura é bom pra vista deseja a seus leitores um 2019 cheio de leitura. E foi em 2018 que  o cordel foi considerado patrimônio cultural. Então vamos entrar com o pé direito em 2019  com este cordel de Gustavo Dourado:

Cordel de Ano Novo

Festival do Ano-Novo

Desde a antiguidade

Na velha Mesopotâmia

Foi grande festividade

Nos meus tempos de criança

Festejei a novidade

2.000 a.C
Começou o Festival
Na antiga Babilônia
Foi festa primordial
Equinócio da primavera
Lua Nova magistral

Festejava-se em março
Era festa de primeira
O povo aproveitava
Sacudia a pasmaceira
Saudava o Sol nascente
Depois da noite festeira

A 23 de setembro
Ano-Novo celebrado
Pérsia, Assíria, Fenícia
No Egito… Sol adorado
Na Grécia em dezembro
Era bem comemorado

Na Roma antiga o festejo
No mês de março era dado
Depois passou a janeiro
Por ser Jano cultuado
Há muito tempo o Ano-Novo
Pelo povo é celebrado

Em 153 a.C
O ano-novo romano
A festa consolidou-se
No calendário juliano
Dia 1º de janeiro
Calendar gregoriano

Em 25 de Março
Era o ano festejado
Chegava a primavera
No mundo do outro lado
Até 1º de Abril
Novo ano cultuado

Gregório XIII instituiu
O 1º de Janeiro
Hoje é comemorado
No Ocidente inteiro
Até mesmo no Oriente
Já é ato costumeiro

Mudou-se o calendário
O povo festeja a mil
Resquício da tradição
O 1º de Abril
É o Dia da Mentira
Na Europa e no Brasil

Na noite de São Silvestre
O povo fica acordado
Para a virada do ano
É preciso estar ligado
Nessa noite não se dorme
É costume consagrado

O Ano Novo chinês
É móvel no calendário
Em janeiro ou fevereiro
Li no Perpétuo Lunário
Luzes…Pirotecnia
Fluem do vocabulário

A 19 de março
Do calendário atual
Ano-Novo esotérico
De cunho espiritual
Resgata a tradição
Do tempo imemorial

Hégira… Rosh Hashaná
Buda…Moisés…Maomé
Cristo Jesus em Belém
Menino de Nazaré
Harmonia para Gaza
Menos bomba, mais café

Pé de porco e lentilha
Gritar, correr e dançar
Bombons, balas e doces
Festejos a beira mar
Oferendas para os santos
Fogos explodem no ar

Espantem os maus espíritos
Chega de insanidade
Viva-se a comunhão
Basta à barbaridade
É hora de paz e união
Vida, amor e liberdade

Fogos e oferendas
E gritos de alegria
Chega de guerra e terror
Fome, ódio, hipocrisia
Paz e amor para todos
Saúde e sabedoria

Belos fogos de artifício
Abraços e buzinada
Sonhos e esperança
Nossa alma renovada
Pelo fim da violência
Paz e amor na jornada

Abrace, beije, comemore
Faça a renovação
Troque a roupa, lençóis
Alivie sua tensão
Sorria e ilumine-se
Faça uma boa ação

10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1
A contagem regressiva
Um adeus ao ano velho
Viva a vida progressiva
Sem guerra e atormento
Consciência reflexiva

Um Ano-Novo de luz
O novo sol vai brilhar
Que tudo se concretize
Possa tudo melhorar
Multiverse o dia a dia
O novo ano vai raiar

Acabaram-se as festas
Volta-se à realidade
A peleja cotidiana
No campo e na cidade
Trabalhe com fantasia
Na busca da eternidade

Um novo ano desperta
Vamos nos harmonizar
Cultivar a irmandade
Humanidade a cantar
Ser sol solidariedade
Os sonhos multiversar

Que o Ano-Novo ilumine
Com paz e felicidade
Que o mundo evolua
E floresça a liberdade
Que o Amor prevaleça
E haja mais boa vontade

Agora é para valer
2017 logo vigora
A vida a nos guiar
Na poesia que aflora
Vamos todos navegar
Por universos afora

O velho ano dormiu
2017 acordou
Continuemos na luta
Novo sonho despertou
A musa renova o verso
A poesia transmutou

Para você tudo de bom
Saúde…Felicidade
Novo ano de harmonia
Luz…Solidariedade
Paz…Amor e Alegria
Sucesso…Fraternidade

Feliz Ano-Novo
Gustavo Dourado

Reflexão para o Novo Ano

Mais um ano que se finda
Um novo ano que vem
Manter a cabeça erguida
Não fazer mal a ninguém

O perigo em cada esquina
A luta sempre continua
Fazer o bem é o caminho
Aqui-agora, em casa, na rua

Lute para mudar o mundo
E melhorar a sociedade
Distribua amor, paz, alegria
Sem o lucro da infelicidade

Respeite a vida a natureza
Não maltrate o semelhante
O que deseja a outrem
A ti retornará adiante

 

 

Este Blog é pra quem gosta de ler, escrever, refletir e conversar sobre jornalismo, literatura e demais culturas.