Paes

Literatura é bom pra vista vai de três poesias, de  José Paulo Paes: Madrigal, Convite e O Aluno. A fonte é da Biblioteca José Paulo Paes*, que fica em São Paulo,  e também tem página no Facebook:  https://www.facebook.com/bibliotecajosepaulopaes/

Madrigal

Meu amor é simples, Dora,

Como a água e o pão.

Como o céu refletido

Nas pupilas de um cão.

Convite

Poesia

é brincar com palavras

como se brinca

com bola, papagaio,pião.

Só que

bola, papagaio,pião

de tanto brincar

se gastam.

As palavras não:

quanto mais se brinca

com elas

mais novas ficam.

como a água do rio

que é água sempre nova.

como cada dia

que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?

O aluno

 São meus todos os versos já cantados:

A flor, a rua, as músicas da infância,

O líquido momento e os azulados

Horizontes perdidos na distância.

Intacto me revejo nos mil lados

De um só poema. Nas lâminas da estância,

Circulam as memórias e a substância

De palavras, de gestos isolados.

São meus também os líricos sapatos

De Rimbaud, e no fundo dos meus atos

Canta a doçura triste de Bandeira.

Drummond me empresta sempre o seu bigode.

Com Neruda, meu pobre verso explode

E as borboletas dançam na algibeira.

 *Poeta, ensaísta, jornalista e tradutor, José Paulo Paes nasceu em 22 de julho de 1926 em Taquaritinga, SP. Transferiu-se para Curitiba em 1944, onde conviveu com vários intelectuais da época, dentre eles o poeta Glauco Flores de Brito e Dalton Trevisan. Iniciou sua carreira literária com o livro O aluno.  O início de sua carreira como editor, aproximou-se de Cassiano Ricardo e do grupo da poesia concreta, chegando a colaborar na Revista Invenção e partilhar de algumas idéias sob a óptica do humor e do laconismo da economia verbal, recursos que usou para tornar mais acurada a ponta satírica de sua poesia. A partir de 1984, José Paulo Paes passa a escrever também poemas lúdicos para o público infanto-juvenil, trabalhando com conceitos em dicionários. Para ele “a palavra é o brinquedo que não gasta, pois quanto mais se brinca com elas mais novas ficam”.

José Paulo Paes faleceu em 9 de outubro de 1998 aos 72 anos.

Algumas obras: O aluno (1947); Cúmplices (1951); Novas cartas chilenas (1954); Mistério em casa (1961); Resíduo (1973); Calendário perplexo (1983); É isso ali (1984); Gregos e baianos (1985); Prosas seguidas de odes mínimas (1992); A poesia está morta mas juro que não fui eu (1988); De ontem para hoje (1996); Um passarinho me contou (Premio Jabuto 1997); Melhores poemas (1998); Uma letra puxa a outra (1998); Ri melhor quem ri primeiro (1999); O lugar do outro (1999).

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